Filho folgado, trabalho dobrado

          Existe um processo natural da vida que os filhos nascem, crescem e um dia saem de casa para estudar, casar ou simplesmente, estão em busca de sua independência e resolvem seguir sua própria vida. Muitos pais fogem desse assunto, só de pensar no sofrimento que terão, mas este não é o melhor caminho. Quando os pais se preparam para este momento e também preparam seu filho, ensina-o a cozinhar, lavar e limpar, todos sofrem bem menos.

Aqueles que se recusam a se preparar para esse inevitável acontecimento acabam sofrendo da “Síndrome do Ninho Vazio”. Os pais adoecem fisicamente e mentalmente, sofrendo com os seguintes sintomas: tristeza, sensação de vazio e de inutilidade, incapacidade de concentração, fadiga, depressão, preocupação excessiva, distúrbios do sono, melancolia, raiva, distúrbios alimentares, diminuição da libido e até sentimento de culpa, quando a relação entre pais e filhos é tensa.

Mas, por que é tão difícil para alguns pais e para outros aparentemente não sofrem tanto?

É só aparência, o sofrimento é o mesmo, o que difere é a maneira que as pessoas lidam com este sofrimento. Os pais criam os filhos de maneira diferentes. Aqueles que não se preparam para o crescimento dos filhos, encarando-os como constantes crianças e bebês, comprovadamente sofrem mais e estão propensos a desenvolver essas doenças.

Aqueles que educam seus filhos evitando o controle excessivo, dando-lhes aos poucos maior autonomia, e mesmo estando presentes, deixando-os tomar suas próprias decisões. Se a sua vida não foi estruturada apenas em torno dos seus filhos, é mais fácil seguir adiante.

A saída dos filhos de casa é um processo natural e inevitável que os pais devem se preparar para isso. Aceitar como um recomeço, não só para os filhos que sairão em busca de novos desafios e experiências, mas também para os pais, com um novo conceito de vida e de novas perspectivas. Temos que renovar nossos planos de vida, tanto individuais quanto matrimoniais, e enxergar nessa situação que surge uma nova oportunidade de dedicarmos mais tempo e energia a nós mesmos, em busca de novas experiências e satisfação pessoal.

Nada vai substituir a saída dos filhos, mas é preciso entender que a fase da vida mudou, e se a pessoa não buscar outras fontes de prazer ela poderá desenvolver muitas doenças. Não é para ignorar os sintomas, mas sim aceitar a dor, aceitar a saída dos filhos, se adaptar a essa mudança e dar novo sentido para a vida. A vida é formada por ciclos. E cada ciclo traz novas  aprendizagens e experiências. Vamos curtir a vida e aproveitar cada momento.

Ana Maria

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